sábado, 9 de maio de 2015

Santa Mafalda

Era uma vez uma viúva rica que se chamava Mafalda no sertão da Bahia.
Sua missão era acolher órfãos. Quando via uma criança sem os pais ela criou. Minha avó Inácia não sabe contar quantos órfãos ela adotou, mas é um número que se conta em dezenas.
Certa feita, adotou a minha bisavó, que também se chamava Mafalda.
Era bondosa também com tropeiros, oferecia água da cacimba e carne de graça, mesmo na época da seca. Curiosamente, a seca não atingia sua fazenda, que continuava com água e gado forte e abundante. Mas o milagre mesmo ocorreu na sua morte.
Enquanto velavam seu corpo na sede da fazenda, ouvia-se som de bandeiras fora de época. Quando os farreões das bandeiras se aproximava, uma garça, que voava à frente das bandeiras pousou na cumeeira da casa. Os farreões entraram no velório e deitaram uma bandeira sobre o corpo de Santa Mafalda. Essa garça permaneceu na cumeeira durante todo o período da cantoria.
No final da bandeira, o filho de Mafalda, que anfitrionava o velório, pediu que se "arrochasse o samba". Houve violas, sambas e festas durante toda a noite e a garça continuava na cumeeira. 
No raiar do sol, as bandeiras se retiraram, ruidosamente, com a garça a seguir.
Ao perguntarem nas veredas vizinhas sobre as bandeiras, ninguém vira ou ouvira nenhuma garça ou bandeira fora de hora, antes ou depois do ocorrido. Aparentemente essa bandeira veio "do nada" e voltou para "o nada". Milagre ou alucinação coletiva? Não sei, só sei que foi assim... 
Causo contado em Sete Barras e repetido em Zeele, dia 09/05/2015.

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